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Fábulas

Esopo, considerado o pai da fábula, deixou histórias em que os animais falam e têm características parecidas com as nossas, humanos. Mas o que é uma fábula ?

Fábula é um breve relato fictício, em prosa ou verso, tem intenção didática e no final sempre passa uma pequena lição ; nela podem intervir animais, pessoas, seres animados e inanimados. Ex. : a raposa e as uvas.

Lenda é uma história que tem mais relatos tradicionais e maravilhosos do que históricos ou verdadeiros. A base é real, mas ela é transformada, fantasiada. Ex. : o rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda.

Mito é uma narração localizada fora do tempo histórico, protagonizada por personagens de caráter heroico ou divino : condensa alguma realidade humana de significação universal ; em geral, interpreta a origem do mundo ou grandes acontecimentos. Ex. : qualquer história de criação do Universo.

A fábula e o mito são gregos, uma tradição oral que acaba sendo transmitida a todo o Ocidente com a criação da escrita no século VIII antes da nossa era, quando os gregos inventam as vogais e, com elas, nosso alfabeto.

Esse modelo de escrita que passa uma mensagem direta e simples, a chamada moral da história, outra invenção de Esopo. No lugar de discorrer, explicar, condenar, ele inventa uma história curta e em geral irônica ou divertida, que mostra algo da nossa vida de todos os dias : trabalho, ambição, moderação, verdade, ilusão, escolha, destino, amizade.

A fórmula criada por Esopo inspirou muita gente, nesses quase 30 séculos. La Fontaine é seu seguidor mais conhecido, escreveu nada menos do que 243 fábulas !

Um alto-relevo com os dois autores enfeita uma parede na rua des Récollets, em Paris – os dois estão acompanhados de uma raposa e de um leão, a astúcia e a força, destaques da fábula como gênero.

Exemplo disso é a história do leão e do rato. A moral da história é que sempre podemos precisar de alguém menor ou mais fraco do que nós. Mas há outros.

Pedro e o lobo é uma história contada através da música. Foi composta por Prokofiev em 1936, com o objetivo de mostrar às crianças as sonoridades dos diversos instrumentos. Cada personagem da história (Pedro, o lobo, os caçadores etc.) é representada por um instrumento diferente.

A fábula da raposa e as uvas também ganhou muitas versões. No Brasil, uma escrita por Monteiro Lobato e outra adaptada por Millor Fernandes.

A mesma coisa aconteceu com a Galinha dos ovos de ouro. Ruth Rocha, por exemplo, resolveu escrever um final diferente.

Outro clássico de Esopo, revisitado por La Fontaine e Monteiro Lobato, é a da cigarra e a formiga.

Histórias em que os animais são protagonistas também inspiraram o francês Charles Perrault, autor de uma das fábulas mais conhecidas de todos os tempos, no mundo todo, o Chapeuzinho vermelho, depois adaptada pelos irmãos Grimm.

E que ninguém ache que fábulas são um gênero “menor”. Depois de ser condenado a beber cicuta por ter discutido temas que contrariavam a religião oficial com a juventude de Atenas, Sócrates passou o último dia de vida versificando as fábulas de Esopo, pois percebeu que tinha passado a vida sem se dedicar à Musa.

Sobre as Musas, veja a publicação, neste Blog.

Marly Peres